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01/08/2009

Especial Foto Filmagem

Foi se a época das fotografias analógicas, do Super 8, dos álbuns em papel e das enormes e pesadas filmadoras VHS. A rigor, pode-se dizer que até mesmo os outrora moderníssimos DVDs já estão com os dias contados. A evolução dos costumes ocorrida nas últimas décadas, juntamente com a fantástica revolução das mídias, mudou drasticamente o trabalho das empresas de foto e vídeo que atuam na cobertura das festas infantis. Os tempos agora são outros, de álbuns digitais, edição não-linear e High Definition (HD). Para as empresas do setor, esse novo cenário representa mudanças nos padrões de atuação. Para os clientes, uma melhoria significativa na qualidade do trabalho a preços acessíveis.

A fotógrafa Andréia Pereira, da Andréia Pereira Fotografia, explica que já há algum tempo, os equipamentos analógicos saíram de cena. A linguagem falada nas produtoras agora é outra. “O mundo da fotografia de eventos infantis é completamente digital, desde a captura com câmeras super avançadas, até o tratamento e a impressão das fotos”. Outra empresária, a Sílvia Del Giudice, da DG Photo, entende que houve uma evolução assustadora em todos os aspectos, tanto da captação de imagens quanto da edição. “As médias produtoras alcançaram um nível de qualidade que somente as grandes conseguiam”.

Na área de vídeo, uma das principais evoluções ocorreu longe das festas - e, portanto, dos olhos do público - na área da edição, como explica o diretor da Arte DVD Kids, Márcio Norris. “Houve uma mudança drástica do sistema linear para o não-linear, facilitando, acelerando e nos proporcionando mais liberdade e criatividade. Passamos de ilhas de edição enormes, analógicas e de custo proibitivo para computadores bem menores e mais acessíveis”.  Cristiano Fratoni, da Thot Produções, complementa: “Há 15 anos, passávamos de um vídeo cassete para outro, com uma mesa de efeitos entre eles; o resultado final, comparado ao de hoje, era absurdo. Atualmente a gravação é feita em fitas digitais, e a edição, realizada em ilhas de edição poderosas, sem perda de qualidade. E os pais, acostumados com a alta tecnologia em suas residências, também procuram a melhor qualidade nos serviços.”

Nesse cenário, de edição não linear e equipamento totalmente digital, o empresário Marcelo Vita, sócio da Cátia Herrera Fotografia, identifica uma nova figura: a do especialista em foto e vídeo para festas infantis - mais familiarizado com as particularidades desse tipo de evento e com o comportamento de crianças e adolescentes.

O surgimento desse novo profissional tem que ver com duas questões. A primeira delas é a própria popularização dos buffets infantis. “Em 10 anos o número de empresas se multiplicou. Os clientes buscam festas mais produzidas e organizadas. No passado o trabalho de foto e vídeo era mais restrito a poucos profissionais. Hoje, com o aumento do número de buffets e de clientes exigentes, o mercado pede maior número de profissionais qualificados que atendam a essas exigências”, afirma Mitu Matsuda, da Mitu Digital. Bianca Machado, do estúdio Bianca Machado, concorda com Marcelo: “Cerca de 95% dos nossos trabalhos são feitos em buffets. Há 20 anos não seria possível imaginar esse nicho de mercado”. E a equipe da Max Produções, uma das empresas mais tradicionais do ramo, lembra, por meio de nota, que há pouco mais de uma década, não havia trabalho específico. “Os buffets infantis eram raros. Casamentos e festas de 15 anos eram fortes”. Danielle Magalhães, da DM2 Eventos, afirma que, nos últimos anos, o mercado evoluiu bastante, o que beneficiou as empresas, na medida em que aumentou o numero de buffets. Segundo ela, o novo profissional deve ter em mente o fato de que o trabalho de documentar as festas exige que o profissional entre no mundo das crianças.

Nesse sentido, o surgimento do negócio dos buffets infantis beneficiou os prestadores de serviços, na medida em que proporcionou a criação de cenários bem produzidos e sofisticados. “O ambiente dos buffets facilita o trabalho e garante fotos e imagens mais expressivas, na medida em que oferece mais temas para fotografar”, explica Ricardo Ghion, da Fraldinha Foto e Vídeo Infantil. Maurício Azevedo, da Photo Magic – empresa do ramo de decoração – destaca que, com imaginação e criatividade, é possível inovar. Seu estúdio desenvolve grandes banners utilizando fotos das crianças com personagens como o Super Homem, a Moranguinho e o ogro Shrek.

O segundo motivo do surgimento do novo profissional tem que ver com um ‘efeito colateral’ da evolução digital: diferentemente do que se imaginava, as novas tecnologias não transformaram novatos e pais corujas em fotógrafos de fim de semana; em vez disso, deixaram mais evidente a necessidade de contratar gente especializada para fotografar as festas. “Com a popularização da fotografia, os amadores passaram a identificar com mais clareza a necessidade de contratação de um especialista”, afirma Vita, da Cátia Herrera.

Acompanhar as novidades do mercado e manter-se up to date com os últimos lançamentos, no entanto, tem lá seu custo. “Há uma idéia errônea de que hoje temos custos baixos porque não gastamos com filmes e revelação. Porém, o trabalho que era do laboratório passou a ser do fotógrafo, que agora é responsável por todo o tratamento das fotografias. Há a necessidade de investimentos em computadores mais velozes para processamento de imagens e atualizações em tecnologia (Photoshop, Lightroom, etc)”, afirma Norris, da Arte DVD Kids. “Os custos aumentam para os equipamentos de ponta ao mesmo tempo em que cada vez mais pessoas têm acesso aos padrões mais simples”, diagnostica Liliane Kirschner, da Máquina do Tempo. Na média, os preços de um trabalho de cobertura de uma festa infantil vão de cerca de R$ 400, para trabalhos mais simples, a R$ 2 mil para projetos sofisticados. Para os vídeos, variam de R$ 500 a aproximadamente R$ 3 mil.

Em relação ao produto final, entregue aos pais como lembrança eterna dos primeiros anos, os álbuns comuns, que sempre reinaram absolutos, continuam bem na foto, mas disputam a preferência com novos produtos, como o chamado fotolivro, com acabamento moderno em papel couchê (o mesmo das revistas) e o panorâmico (ou composite), mais parecido com os álbuns tradicionais, em papel fotográfico, mas com a vantagem de ter fotos com melhor resolução e de ser mais resistente. Outra tendência são os slide shows (DVDs com fundo musical), e web-álbuns (fotos na Internet, geralmente protegidas por senhas, para veiculação apenas entre os convidados). A opinião praticamente consensual das empresas do setor, no entanto, é a de que, com uma ou outra variação, a principal forma de registrar esses momentos de alegria continuará sendo, mesmo, o álbum – ainda que com toques de modernidade. “Álbuns são eternos, podem se passar centenas de anos e eles nunca deixarão de ser confeccionados. Hoje têm mais efeitos, novos designs, cores fortes e mais uma infinidade de implementos. Mas 92% de nossos clientes confeccionaram álbuns dentre os pacotes fechados em 2008. Eles alegam quererem eternizar de forma concreta seus momentos”, afirma a Max Produções.

Novidades, tendências e tecnologias à parte, o que não mudou – e dificilmente mudará – é a paixão desses profissionais pelo trabalho de registrar a alegria das crianças.

Mudaram as tecnologias, mudaram as crianças. Se há algumas décadas, elas evitavam as máquinas fotográficas e se comportavam de maneira mais esquiva em relação às lentes, hoje em dia o universo infantil está definitivamente integrado às novidades do mundo da tecnologia - a ponto de as crianças mais novas darem aulas aos pais a respeito do funcionamento de um Blog ou de uma câmera digital.

“As crianças hoje estão totalmente familiarizadas com a fotografia e filmagem por vários motivos: (1) por conviverem com esta tecnologia dentro de suas casas, com os pais, com o uso de câmeras, computadores e seus notebooks, onde têm contato diário com a tecnologia de captura e processamento de imagens (2) por terem se habituado a ir a festas em buffets e principalmente, (3) por já estarem acostumadas com os ‘tios e tias da foto e da filmagem’”, afirma Silvia Del Giudice, da DG Foto e Vídeo.

Márcio Norris, da Arte DVD Kids, complementa: “As meninas, principalmente se sentem totalmente à vontade diante das lentes. Quando se aponta a câmera para elas, surgem ‘caras e bocas’ naturalmente e na fotografia geralmente pedem para ver a foto no LCD da câmera. São verdadeiras princesas.” Já a Max Produções, afirma: “Chega a ser divertido pois gostam de se expressar, fazem inúmeras poses, adoram ver as luzes e flash acompanhados dos cliques das máquinas”.

A empresária Renata Moraes, do Stúdio CCM, diz que as crianças estão ficando cada vez mais ‘adultas’. “Por isso, é preciso que o profissional tenha, sobretudo, um perfil de educador, que saiba se relacionar com esse público”.

Mas Cristiano Fratoni, da Thot Produções, lembra que existem, ainda, crianças que choram quando veem um fotógrafo. “O que influencia não é a tecnologia em si, mas sim o ambiente em que a criança se encontra e a descontração da própria família”. 


Uma nova gama de produtos ligados ao segmento faz sucesso junto ao consumidor

Mediante tantos recursos tecnológicos, as empresas não se limitam apenas aos produtos de foto e filmagem. Hoje é possível contratar diversos serviços agregados e personalizados, como lembrancinhas, convites, banners e outros, e até mesmo decorar a casa com aplicações variadas, tais como, espelhos, box de banheiro, quadros, cortinas, papel de parede e até mesmo o sofá de sua sala.


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