01/03/2009
Especial Shows Infantis
Todo ano é a mesma história. Quando chega a hora de planejar o aniversário, pais e filhos ficam ansiosos para decidir qual será a atração principal da festa. A indústria do entretenimento cresceu, se profissionalizou e oferece um leque de opções para todos os bolsos, gostos e faixas etárias. Adequar a atividade escolhida aos convidados e, é claro, ao gosto do aniversariante pode fazer a diferença entre um encontro comemorativo e um evento memorável.
Com a vida cada vez mais atribulada as pessoas encontram-se cada vez menos fora das datas festivas. Portanto, muitas vezes é no aniversário dos filhos que os pais aproveitam para reencontrar os amigos e familiares para confraternizar. “Nos dias de hoje há pessoas que você só se encontra em datas comemorativas. Além disso, é normal que vá muito mais adultos do que crianças. Por isso sempre faço questão de escolher uma atividade que agrade todas as faixas etárias. E assistir truques de mágica algo é que todo mundo adora”, conta Camila Gomes, que contrata shows de mágica há cinco anos para as festas de seus dois filhos.
Mágico há 15 anos, Marcos Ulisses Macri confirma: “Quando começa o espetáculo, os adultos são os primeiros a virem correndo”. No entanto, agradar adultos e crianças não é tão fácil quanto possa parecer. “O show infantil deve ser muito bem planejado. A criança é sincera e autêntica. Se ela não gosta simplesmente levanta e sai andando para ir se divertir – sobretudo nos bufetts, onde não faltam atrações”, explica Macri.
Formado na Escola de Arte Dramática da USP, em Interpretação Teatral, Macri trabalhou no Parque da Mônica, sob a direção de Maurício de Souza durante 12 anos. Ele garante que tanta formação e estudo são, além de fundamental, compensador. Em 2006 Mácri foi premiado pelo Congresso Brasileiro de Mágicos na categoria “Mágicas para crianças”.
Em um mundo recheado de informações os mais interessados no tema encontram, facilmente na internet, segredos do espetáculo. E os mágicos sabem que os truques aos quais se dedicam podem estar ao alcance de um clique. “A platéia tem um alto nível de exigência. Para surpreender deve-se estar em constante reciclagem e atento as novidades, principalmente no exterior, que, de fato, investe na arte mágica”, afirma Macri.
E já que surpreender é o objetivo maior os profissionais não economizam em novidades. Especialista na arte do ilusionismo à 20 anos, Marcelo Kruschessky elabora um show novo a cada ano. A grande surpresa de 2009 é nada menos do que um ventríloquo do conhecido personagem de desenho animado – o Pica-Pau. Aliás, dedicar-se a difícil arte da ventriloquia é um dos diferenciais em que Marcelo aposta e que garante agradar muito aos espectadores. “Faço questão que todos interajam com o show – sobretudo, o aniversariante. É ele quem “comanda” o espetáculo. Além disso, todos os que assistem recebem uma varinha de condão para que participem igualmente”, conta Marcelo que concebe atrações diferentes para cada faixa etária.
Recurso muito utilizado, os animais costumam agradar os pequenos. Mágico há 10 anos, Rodrigo Ferreira, incrementa seus truques com pombas, coelhinhos, papagaios e um cachorrinho poodle – todos, segundo ele, são muito bem tratados e autorizados pelo IBAMA. “Quando eu tiro o coelho da cartola, os convidados ficam encantados. E, na seqüencia, com os outros bichinhos é a mesma coisa. Mas friso que os adultos também se mostram encantados, pois é uma oportunidade de colocar seus filhos em contato com os animais”, relata Rodrigo.
Se o foco é entreter os adultos enquanto a criançada brinca e se diverte o “close up” tem tudo para agradar. Trata-se de pequenas apresentações, realizadas de mesa em mesa, compostas por mágicas impactantes que causam em cada momento uma nova surpresa.
Especialista nessa técnica há mais de 15 anos, Alexandre Chaneta, ou melhor, o Spectro Mágico, como é conhecido, afirma que se apresentar para adultos é tão desafiador quanto criar um show infantil. “Eles têm mais bagagem cultural e, portanto, possuem mais referências e sabem diferenciar o que é bom e o que é ruim”, conta Alexandre que trabalhou durante cinco anos no “Bom Dia & Cia” – transmitido pelo SBT e apresentado por Eliana. Quando a estrela migrou para a Rede Record ele a acompanhou e atuaram juntos até 2006. Ainda adolescente, venceu um concurso de mágicos promovido pelo extinto “Show de Calouros”, comandado por Silvio Santos nos anos 90. E, desde então, é presença constante em programas de televisão de diversas emissoras.
“Durante a apresentação aposto em abordagens bem humoradas, pois criam um clima de descontração. Também não repito truques na mesma festa e lanço mão de efeitos visuais e interativos”, conta ele que elabora shows embalados aos sons dos grandes “hits” dos anos 60 e 70 – complementadas por um visual psicodélico e uma coleção de objetos de época como óculos, relógios, roupas e um raríssimo carro Impala Hardtop 1961.
Mais do que fazer ilusionismo de qualidade o bom mágico é quem está atento a todos os detalhes do evento. Um espetáculo sincronizado com música, gestual e ritmo é fundamental para prender a atenção durante os 50 minutos. Boa infra-estrutura com equipamentos de som, cenários e iluminação é vital, além de saber lidar com imprevistos. Em um ambiente com crianças e adultos com personalidades diferentes entre si, o bom profissional é quem sabe prender a atenção de todos. “Você tem que filtrar, condensar a energia e mantê-la durante a apresentação”, enfatiza Macri.
Aprender brincando
Uma nova tendência que tem surgido – e agradado bastante – são atrações que agregam conteúdo tanto quanto divertem. Com teor pedagógico as atividades transmitem valores, ensinamentos e a filosofia de que aprender é legal. São opções de entretenimento regados a muito conhecimento e atividades interativas. Brincando as crianças aprendem sobre ecologia, comportamento, atitude e ciências. Mais do que um show visual são espetáculos com linguagem que ensina a codificar conhecimento sem que os pequenos se dêem conta.
“Nosso objetivo é mostrar para as crianças que aprender é legal e pesquisar é divertido”, conta Dany Artel que trouxe a Mad Science - empresa canadense - ao Brasil há apenas um ano. Cientistas como “Marta Meteoro” ajudam as crianças a criar melecas, geléias estica-e-puxa e a lidar com conceitos interessantes para a idade – como o ar e o gelo seco.
Uma opção de entretenimento que prepara o raciocínio científico ensinando conceitos básicos como causa e efeito, hipótese e experiência. A partir de quatro anos as atividades abarcam experiências com “poções mágicas” e fabricação de materiais. Tudo isso com linguagem claramente científica para acostumá-las com os termos corretos. Parece difícil para uma criança de 4 anos? Dany garante que não. “A criança tem plena capacidade de entender. É claro que fazemos adaptações de acordo com a idade do aniversariante”.
Alternativa igualmente lúdica e divertida são os espetáculos nos quais as histórias contadas vão sendo retiradas de um livro gigante com personagens que interagem com as crianças.
Recheados de canções infantis, os episódios relatados fazem parte do folclore brasileiro e possuem mensagens que estimulam o pensamento cognitivo. Conflito e discordâncias também surgem para ir mostrando que há formas diferentes de resolver problemas. Além disso, os protagonistas constroem, junto com as crianças, instrumentos musicais com sucatas. Tudo para estimulá-las a tomarem gosto pela leitura e pelo folclore nacional. “Não é um projeto educativo no sentido de impor regras. Mas é uma educação lúdica, levado para dentro de um ambiente descontraído, onde ela vai aprender brincando sobre a nossa cultura. Minha maior motivação é porque acho que o Brasil é, de certa forma, carente de cultura e teatro”, conta Carlos Luiz, autor do musical Livro Vivo.
“Um dos maiores desafios de nós, pais, é aproximar as crianças dos livros. Fico assustada com a valorização extrema que as novas gerações dão somente aos produtos culturais importados. E esse tipo de atividade ajuda incentivá-los a conhecer nossas raízes e a cultura”, relata Gisele Carvalho, mãe de três filhos.
Outro espetáculo que tem o livro como atração principal é o “Livro Teatro” da Madri Festas.
“Quando as crianças vêem o livro, que tem dois metros de altura e os personagens ganhando vida entendem o prazer da leitura”, conta Márcia Freyberger, proprietária da Madri Festas, e criadora do espetáculo “Livro Teatro”. Para enriquecer o espetáculo ela também aposta no teatro de sombras (como o tradicional teatro chinês). Além disso, a contação de histórias está ligada a jogos temáticos em que a criança passa de espectadora a agente da fábula, realizando ações como se fosse personagem. Outra atividade da Madri Festas são os jogos cooperativos onde, o objetivo é cooperar e não competir.
Nesse sentido Marcia também desenvolveu uma nova atração - o grupo Trança de Histórias. Utilizando diversos elementos, dois contadores de histórias fazem uma apresentação que mistura música, histórias infantis, literatura de cordel e poesia.
Bem longe do formato “aula” essas atividades libertam o espírito do faça você mesmo. Põe a criançada para pensar, aprender e formular o raciocínio. “A geração atual é muito passiva e atividades desse teor as colocam numa posição ativa. “Não damos respostas. Eles devem raciocinar e trazê-las”. E não raro ouvimos os adultos dizerem durante uma explicação: “Puxa, eu não sabia”, comenta Dany da Mad Science.
Respeitável público...
Quando surpreender é a palavra de ordem os pais podem investir em shows elaborados e apresentações inusitadas. “Estamos aqui para realizar sonhos”, conta Andréia Kondrat, da Cia Arennoz. Fundada há 18 anos, a companhia de teatro oferece uma gama de serviços que vão desde a recreação a grandes produções teatrais.
E neste sentido não há limites. Uma infra-estrutura que conta com atores profissionais, bailarinos, coreógrafos, acrobatas, circenses, iluminadores, costureiras, e uma equipe de produção que dão vida a tudo o que se pode imaginar. E o que as crianças preferem, é claro, varia muito de acordo com a idade. Os menores oscilam entre os super-heróis e os contos de fadas. Já na pré-adolescência musicais da Disney como High School Music, Hannah Montana e Camp Rock são campeões de contratação. “O importante é que a criança entre na magia. Um espetáculo bem feito é aquele que a faz pensar que o personagem saiu de dentro da história para ir a festa. Se a criança perceber que é alguém que está apenas fantasiado a idéia perde todo o sentido”, explica Andréia.
A caracterização é outro aspecto importante. Por trás de um bom espetáculo há muito ensaio e caracterização impecável que inclui maquiagem, figurino, gestual e cenas reproduzidas à risca – o que exige muita preparação, pesquisa e profissionalismo por parte de quem o organiza, além de uma boa base pedagógica e psicológica de todos os envolvidos.
Antes de mais nada é preciso saber o que o aniversariante realmente quer – o que implica equilibrar expectativas de pais e filhos. Por isso é importante conversar com ambos para chegar a solução comum que agrade a todos, e principalmente o aniversariante”, explica Andréia.
Outra questão importante na hora de avaliar a melhor atração e atividade é analisar todos os aspectos da vida da criança. O que gosta, a rotina e o que faz, confirma Andréia.
Assim, os pais devem envolver-se o máximo possível. Acompanhar um ensaio, verificar se os figurinos estão adequados e analisar se a equipe dispõe de técnicas de abordagem estudadas e bem pensadas para não ofender e intimidar convidados.
Outro tipo de espetáculo que faz a alegria da criançada são os que envolvem adestramento de animais. São shows que além de surpreenderem pelo tema, impressionam pela técnica e aproximam o aniversariante de um universo comumente inusitado.
“Muitos pais contratam o show, pois o sonho do filho é ter um cachorro, mas não pode comprá-lo pois mora em apartamento ou porque não tem tempo para cuidar do animal”, relata Fábio Stevanovich, que comanda o Circo Tradição, espetáculo em que 14 cãezinhos entram e cena para protagonizar piruetas e acrobacias.
Entre Sheep Dog, Dálmatas, Colies, Husky Siberian e Poodles participam do show 14 cães adestrados. Todos fantasiados - Minie, Cãoboy, Super Dog, Noiva e Carnaval são apenas alguns dos adornos que os animais vestem.
Pioneiros no Brasil, o Circo Tradição está há 14 anos no mercado. Mas essa história começou muito antes. Criador da animação circense em festas infantis, o avô paterno de Fábio, João Baptista da Fonseca, apresentava-se já no início da década de 40 junto com sua esposa e seus cinco filhos com o show de cães adestrados, macaquinho prego, malabarista, mágico, palhaços e musical para tradicionais famílias paulistanas como os Matarazzo e os Crespi.
Além das festas particulares, a Trupe Fonseca se apresentava em pavilhões teatrais e faziam shows na Caravana do Peru que tinha como líder e apresentador Silvio Santos. O pai de Fábio o palhaço Corisco apresentava-se com trio de palhaços - Corisco, Mingal e Bolinho (o próprio Fábio) – e foi o primeiro a montar um circo com lona, picadeiro e cadeiras em festas infantis, na época realizadas em casas e salões de prédios.
Hoje, quem comanda as apresentações é Silvia e Fábio (mãe e filho) e ele implantou o show de malabarismo, que lhe rendeu 3 troféus Picadeiro como o Melhor Malabarista do Brasil, pela Secretaria de Cultura.
“Não importa a idade, as crianças amam os cachorros. Não existe relação igual ao do animal com o ser humano. E no final do show elas ficam brincando com os cães, fazendo carinhos neles”, comenta Fábio.
“Incentivar o contato com os animais é uma das melhores formas de ensinar valores como carinho e respeito. Precisamos criar nossos filhos com a consciência de que o meio ambiente e os animais são tão importantes como os seres humanos. E em um show como esse a criança percebe o quanto os animais são inteligentes e aprende a valorizá-los e considerá-los ainda mais”, relata Carla Vidigal, advogada e mãe de duas filhas.
Brincar, brincar... E brincar! Com muita imaginação...
Muito bem aceito pelos pequenos, o show de fantoches instiga a fantasia e o imaginário infantil. Miriam Kass, da Companhia de Fantoches Von Feffer, explica que decidiu investir nesta atração porque acredita no poder do teatro como mola propulsora da imaginação e criatividade. “Trabalhar o “faz de conta” estimula a pensar além dos sentidos literais. Ao dar vida ao boneco mostramos a criança que não só ele pode se tornar real, mas tudo aquilo que ela sonha e deseja também”.
Com mais de 10 anos de experiência Miriam alerta para a importância de resgatar o conto de fadas e temas educativos, agregando aos espetáculos valores universais que enriquecem o repertório dos pequenos e estimulam a liberdade de pensamento. “É na infância que nosso caráter é formado. Portanto, todos os estímulos e conteúdos devem ser muito bem pensados. Por isso, em nossas histórias, procuramos mostrar o valor da amizade, a importância do perdão, da família e dos valores universais”, afirma Miriam.
Andréia, da Cia. Arennoz, concorda. “O teatro de fantoches encanta pela simplicidade e complexidade que carrega em si. Ao mesmo tempo em que traz uma história lúdica fascina pela técnica que traz. No fantoche temos um serviço de monitoramento que analisa o público no momento da apresentação, para verificar se eles estão gostando ou não. Porém, é muito difícil não ver os pequenos encantados pelos personagens”.
Personagem universal que há décadas arranca sorrisos e gargalhadas o palhaço é uma alternativa viável para a maioria das famílias. A apresentação que dura, em média uma hora, consiste em fazer piadas e criar um ambiente de pura descontração. O bom palhaço supera a fórmula “rosto colorido que faz boas tiradas”. São profissionais formados que além de atualizem o repertório, repaginaram o visual e usam e abusam de efeitos visuais.
“Hoje em dia as crianças tem acesso a informações de um modo rápido e amplo. As piadas tem que ser muito bem elaboradas e reinventadas. Mas é preciso tomar muito cuidado com o que se diz, além de equilibrar linguagem e texto de forma que ninguém sinta-se exposto ou envergonhado”, conta Júnior Rangel, da Vira Festa, que oferece a atração Zico e Zen - dupla de palhaços com visual futurista que investe em cantigas de roda remixadas.
“Acredito que o palhaço é uma atração que nunca sairá de moda. Meus filhos adoram o visual colorido e as piadas que fazem todos cair na gargalhada. Como nem sempre podemos levá-los ao circo, é um contato positivo e um resgate para os mais velhos, já que para a minha geração o contato com o clown era muito mais freqüente”, comenta Rodrigo dos Anjos, pai de dois filhos.
Independente do programa selecionado o importante é verificar se por trás de atividades aparentemente simples, há responsabilidade por parte de quem as executa. Equilibrar qualidade da atração, orçamento disponível e perceber as expectativas dos filhos são quesitos igualmente importantes na hora da escolha – que tem tudo para ser mais do que uma comemoração, mas um evento impecável.
Serviços:
•Mágico Macri – www.macri.com.br
•Mágico Marcelo – www.magicomarcelo.com.br
•Mágico Rodrigo – www.magicorodrigo.com
•Spectro Mágico - www.spectromagico.com
•Mad Science - www.madscience.com.br
•Livro Vivo – www.livrovivo.net
•Madri Festas – www.madrifestas.com.br
•Cia de Teatro Arennoz – www.arennoz.com.br
•Circo Tradição – www.circotradicao.com.br
•Companhia de Fantoches Von Feffer
www.vonfeffer.com.br
•Vira Festa – Palhaços Zico e Zen
www.virafesta.com.br
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